terça-feira, 26 de novembro de 2013

França lança campanha contra "bullying" nas escolas e redes sociais

Adriana Moysés
O governo francês lança hoje uma campanha nacional contra o "bullying" de crianças e adolescentes nas escolas e na internet, um fenômeno que ultrapassou as quadras de recreação e já provocou o suicídio de vários menores nos últimos tempos. A campanha alerta contra as humilhações veiculadas nos celulares e nas redes sociais, principalmente no Facebook.

ministério francês da Educação quer estimular professores e pais a agir contra o "bullying" (do inglês bully = “valentão”) e ao mesmo tempo incentivar os adolescentes a romper o silêncio. Os vídeos da campanha, feitos dentro de salas de aula, mostram crianças e adolescentes que passaram pelo problema. Eles dizem que preferiam ter sido protegidos e que a comunidades educativa, os pais e testemunhas podem e devem ajudar as vítimas.
Mais da metade das agressões observadas na França envolvem adolescentes de 12 a 14 anos, sendo que as meninas são as primeiras vítimas. As formas de assédio mais comuns são a publicação de fotos íntimas dos jovens sem o seu consentimento na internet, comentários ofensivos sobre a aparência física dos estudantes, xingamentos e outros insultos verbais, além de agressões físicas intencionais e repetitivas. Muitas vezes o "bullying" acontece sem motivação evidente, mas causa dor, angústia e até atitudes desesperadas como o suicídio dos jovens.
Os alunos que testemunham o "bullying" convivem com a violência e frequentemente se calam com medo de se tornar as “próximas vítimas” do agressor. Segundo especialistas,
as crianças ou adolescentes que sofrem "bullying" podem se tornar adultos com sentimentos negativos e baixa autoestima.
Na França, os professores são acusados de passividade diante do fenômeno. Especialistas reconhecem que as fronteiras entre a escola e a vida familiar são porosas. Uma briga que começa na escola pode continuar até a madrugada na cama do adolescente, nas mensagens de celular e redes sociais. Os pais, que poderiam exercer um papel fundamental de proteção, muitas vezes desconhecem a situação.
Os dados sobre o número de alunos franceses vítimas de "bullying" varia, segundo a fonte. A ensaísta Catherine Blaya, autora de uma síntese internacional sobre as atitudes de risco e a violência dos adolescentes na internet, calcula que 6% dos estudantes franceses são vítimas de "bullying" no espaço virtual. A associação "E-Enfance" (e-infância), que propõe uma plataforma de escuta para as jovens vítimas e faz um trabalho de sensibilização nos colégios, afirma que há dois anos o "bullying" atingia 15% da população escolar do ensino médio e hoje pulou para 22%.

Fonte: http://www.portugues.rfi.fr/franca/20131126-franca-lanca-campanha-nacional-contra-bullying-nas-escolas-e-redes-sociais

sábado, 23 de novembro de 2013

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Jornada de Análise do Discurso - 2013

O Grupo de Pesquisa e Estudo Discurso e Ontologia  – GEDON –  convida a para a 

          Jornada de Análise do Discurso - 2013
    "Nos espaços discursivos, conflitos ardentes!"


Dia: 25/11/2013 (segunda-feira)

Horário: das 9h às 18h

Local: Miniauditório Heliônia Ceres - Fale/Ufal - Universidade Federal do Alagoas


PROGRAMAÇÃO

9h Abertura - Grupo de Estudos e Pesquisa em Discurso e Ontologia - Gedon

9h15  Mesa 1 - Lisiane Alcaria, Ahiranie Manzoni, Mercia Pimentel (coord. Helson Sobrinho)

10h    Mesa 2 - Heder Rangel, Rita Vasconcelos, Lídia Ramires (coord. Socorro Aguiar)

12h às 14h - almoço

14h    Mesa 3 - Tatiana Magalhães, Luciano Accioly (coord. Belmira Magalhães)

16h    Mesa 4 - Ricardo Silva, Simone Makyiama, Luciano Araújo, Daniela Botti (coord. Ana Gama)

INTERNACIONAL DE PESQUISA EM LETRAS NO CONTEXTO LATINO-AMERICANO

TEMA DA EDIÇÃO 2013: CONFLUÊNCIAS ENTRE LITERATURA, CULTURA E OUTROS CAMPOS DO SABER

Programação      
                       


27/11/2013: quarta-feira
Manhã:
- Credenciamento e entrega de material: 8h as 8h30min
8h:45min  as  10h:30min – Local: Anfiteatro Arnaldo Busato/ Unioeste, campus de Cascavel/PR.
Mesa redonda – SUJEITOS, FRONTEIRAS E IDENTIDADES NA AMÉRICA LATINA
Profª Drª Carmen Santander (Universidad Nacional de Misiones – Argentina)
Prof. Dr. Paulo Sérgio Nolasco dos Santos (UFGD)
Profª Drª Rita Felix Fortes (Unioeste)
Debatedora: Profª Drª Adriana Aparecida de Figueiredo Fiuza (Unioeste)
Intervalo 10h:30min as  10h:45min
10h:45min  as  12h:30m – Local: Anfiteatro Arnaldo Busato/ Unioeste, campus de Cascavel/PR.
Mesa redonda – LITERATURA, HISTÓRIA E MEMÓRIA
Prof. Dr. Aleilton Fonseca (Escritor – Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS)
Profª Lic. Susy Delgado (Escritora – Universidade Nacional de Assunção – UnA – Paraguai)
Profª Drª  María Rosa Lojo (Escritora – Universidad de Buenos Aires, UBA – Argentina)
Debatedor: Prof. Dr. Gilmei Francisco Fleck (Unioeste)
Tarde:
14h as 17h:30min
Simpósios – Local: Prédio – Letras – salas de aula – 1º piso.
18h  Local: Anfiteatro Arnaldo Busato/ Unioeste, campus de Cascavel/PR.
Atividades Culturais – Coord. Profª Drª Beatriz Helena Dal Molin (Unioeste e membro da Academia Cascavelense de Letras – ACL)
- Exposição de Artes Plásticas e  Painéis de Poemas  (Responsável Antonio de Jesus – (Presidente da Academia Cascavelense de Letras – ACL)
Noite:
- Abertura oficial: 19h:15min
Local: Anfiteatro Arnaldo Busato/ Unioeste, campus de Cascavel/PR.
19h:30min
- Conferência com o Prof. Dr. João Wanderley Geraldi   (Universidade Estadual de Campinas – IEL – UNICAMP)
TEMA – CONFLUÊNCIAS ENTRE LITERATURA E LINGUÍSTICA: ENCONTRO COM OUTROS CAMPOS E OUTROS SABERES
Mediador: Profª Drª Lourdes Kaminski Alves (Unioeste) e Prof. Dr. José Kuiava  (Unioeste)
 
28/11/2013: quinta-feira
Manhã:
8h:30min  as  10h:15min – Local: Anfiteatro Arnaldo Busato/ Unioeste, campus de Cascavel/PR.
Mesa redonda – LITERATURAS LATINO-AMERICANAS E ESTUDOS PÓS-COLONIAIS
Profª Drª Carmen Luna Sellés  (Universidade de Vigo – UV – Espanha)
Prof. José Angel Cuevas Estivil (Escritor – Chile)
Profª Drª Ximena Antonia Díaz Merino (Unioeste)
Debatedor: Prof. Dr. Acir Dias da Silva (Unioeste/FAP)
Intervalo 10h:15min  as  10h:30min
10h:30min  as  12h:30min – Local: Anfiteatro Arnaldo Busato/ Unioeste, campus de Cascavel/PR.
Mesa redonda – LETRAMENTO LITERÁRIO NAS PERSPECTIVAS CONTEMPORÂNEAS
Profª Drª Gloria Kirinus (Escritora – Peru/Brasil)
Profª Lic. Irina Ráfols (Escritora – Universidade Nacional de Assunção – UnA – Paraguai/Uruguai)
Profª Drª Clarice Lottermann (Unioeste)
Debatedor: Prof. Dr. Antonio Donizeti da Cruz (Unioeste)
Tarde:
14h as 17h:30min
Simpósios – Local: Prédio – Letras – salas de aula – 1º piso.
18h
Atividades Culturais – Coord. Profª Drª Beatriz Helena Dal Molin (Unioeste e membro da Academia Cascavelense de Letras)
Exposição de Artes Plásticas e Painéis de Poemas  (Responsável Antonio de Jesus – (Presidente da Academia Cascavelense de Letras – ACL)
– Local: Anfiteatro Arnaldo Busato/ Unioeste, campus de Cascavel/PR.
Noite:
19h:15min – Local: Anfiteatro Arnaldo Busato/ Unioeste, campus de Cascavel/PR.
SESSÃO – DIÁLOGOS ENTRE LEITORES E ESCRITORES
- Gloria Kirinus (Escritora – Peru/Brasil)
- Irina Ráfols (Escritora – Paraguai/Uruguai)
- Susy Delgado (Escritora – Paraguai)
- María Rosa Lojo (Escritora – Argentina)
Mediadores: Ximena Antonia Díaz Merino e Antonio Donizeti da Cruz

29/11/2013: sexta-feira
Manhã:
8h:30min  as  10h:15min – Local: Anfiteatro Arnaldo Busato/ Unioeste, campus de Cascavel/PR.
Mesa redonda – IDENTIDADES E CULTURAS HÍBRIDAS NAS LITERATURAS LATINO-AMERICANAS
Profª Drª Zilá Bernd (UFRGS – Unilassale)
Prof. Dr. Paulo Astor Soethe (UFPR)
Profª Drª Lilibeth Zambrano (Universidad de Los Andes – UA – Merida – Venezuela )
Debatedora: Profª Drª Lourdes Kaminski Alves (Unioeste)
Intervalo 10h:15min as  10h:30min
10h:30min  as  12h:30min – Local: Anfiteatro Arnaldo Busato/ Unioeste, campus de Cascavel/PR.
Mesa redonda – LITERATURA E FORMAÇÃO HUMANA: CONFLUÊNCIAS MULTIDISCIPLINARES
Prof. Dr. Claudinei Aparecido de Freitas da Silva (Filosofia – Unioeste)
Prof. Dr. Valdemir Miotello (Universidade Federal de São Carlos)
Prof. Dr. José Kuiava  (Unioeste)
Debatedora: Profª Drª Regina Coeli Machado e Silva (Unioeste)
Tarde:
14h as 17h:30min
Simpósios – Local: Prédio – Letras – salas de aula – 1º piso.
18h Atividades Culturais – Coord. Profª Drª Beatriz Helena Dal Molin (Unioeste e membro da Academia Cascavelense de Letras)
Exposição de Artes Plásticas e  Painéis de Poemas  (Responsável Antonio de Jesus – (Presidente da Academia Cascavelense de Letras – ACL)
- Local: Anfiteatro Arnaldo Busato/ Unioeste, campus de Cascavel/PR.
Noite:
19h:15min – Local: Anfiteatro Arnaldo Busato/ Unioeste, campus de Cascavel/PR.
SESSÃO - DIÁLOGOS ENTRE LEITORES E ESCRITORES
- Adélia Maria Woellner (Escritora – Brasil)
- José Angel Cuevas Estivil (Escritor – Chile)
- Aleilton Fonseca (Escritor – Brasil)
- Paulo Bungart Neto (Escritor – Brasil)
Mediadores: Lourdes Kaminski Alves e Acir Dias da Silva

Fonte e maiores informações: http://www.seminariolhm.com.br/home/

Formação de Professores

Casa da Cultura Digital e Coletivo Jogo Limpo levam oficina de tecnologias lúdicas educacionais para professores da rede estadual de São Paulo
Utilização de tecnologias em escolas pode auxiliar no desenvolvimento de alunos e professores e contribuir com caráter crítico do processo pedagógico.
Na quinta-feira, 31/10, a Casa da Cultura Digital (CCD) e o Coletivo Jogo Limpo (CJL) realizaram oficinas com game e software educativo na Diretoria de Ensino – Região Norte 2 (DERN2), unidade responsável pela formação de professores, dentre outras atribuições, em mais de 74 escolas da zona norte de São Paulo
Quase 60 docentes da disciplina de inglês do nível Fundamental e Médio da Rede Pública Estadual de São Paulo participaram da oficina “Jogos Educacionais Digitas Interdisciplinares Abertos –  JEDAI,  possibilidades para utilização de tecnologias lúdicas para benefício do processo de ensino e aprendizagem de língua inglesa”.
Tomando o papel de alunos, os professores interagiram com algumas tecnologias lúdicas e, a partir de um diálogo mediado por um especialista da área, debateram possibilidades e impedimentos de aplicação de games educacionais em sala de aula.
Na oficina, foram apresentadas duas tecnologias abertas, (ou seja, sem custo de acesso e utilização): a plataforma “gameficada” Duolingo e, o game educacional, Trace Effects.
Duolingo pode ser definido como uma plataforma de aprendizagem de idiomas que utiliza mecânicas de  jogos (gameficação) para motivar o estudante a avançar em seus estudos. Os níveis de conhecimento do idioma e o desenvolvimento do aprendizado dele são mostrados na tela como ícones de fases completas ou em andamento. Os feedbacks constantes e áudio contribuem para que o aluno, em tese, fique com vontade de estudar cada vez mais.
Já o Trace Effects é um jogo educativo no sentido literal da palavra. E dos bons, quer dizer, o aluno não precisa resolver um exercício de matemática ou, corrigir uma frase mal escrita em um texto para, com isso, derrotar o mestre do final da fase. Pelo contrário, Trace Effects é um game exploratório, investigar ambientes, com gráficos 3D em que o jogador se coloca no papel de um adolescente vindo do futuro e desembarca em um campus de uma universidade. Esse adolescente, deve procurar pessoas, seguir dicas e sugestões, em inglês, sobre quem ou o que encontrar para levá-lo de volta a seu tempo original. Os personagens que aparecem no game são programados com códigos de inteligência artificial e interagem de maneiras diferentes a cada contato do jogador com eles. O que, em teoria, pode transmitir a sensação de atualização e realidade muito fortes ao usuário.
Na avaliação do oficineiro de games educacionais e criador CJL, Jean Tomceac a simples inserção de maravilhas tecnológicas no ambiente escolar não irão permitir virar a página e, muito menos, começar um novo capítulo da educação brasileira. “As tecnologias podem ser excelentes ferramentas quando bem utilizadas por professores. No entanto, é necessário ter ouvidos e entender que existem uma série de questões básicas e urgentes que a escola pública atual precisa resolver se quiser avançar na qualidade do ensino”, comenta.
Imagens das oficinas do dia 31/10/2013:
  • Professores e professoras do Ensino Médio da Rede Estadual
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  •  Professores e professoras do Ensino Fundamental da Rede Estadual
Sobre a Casa de Cultura Digital (CCD)
A CCD é um projeto que se iniciou na contra cultura nos anos 70 e sobrevive até hoje, mas agora, com o potencial revolucionário das tecnologias. Essa frase traduz a essência do que é a casa que, nos quase cinco anos de existência, desenvolve projetos e une pessoas com objetivos semelhantes, com foco na criação, incubação e estímulo de comunidades e projetos. A CCD acolheu as mais diferentes iniciativas inovadoras como: Memelab, Agência Pública de Notícias, Arte Fora do Museu, Festival Cultura Digital.Br, Indie Speedy Run, Global Game Jam, Brasil@Home – HackFest, Festival Baixo Centro, Rádio Tatu Peb e dezenas de outros.
Sobre o Coletivo Jogo Limpo (CJL)
O CJL é uma iniciativa sem fins lucrativos que busca trazer o olhar crítico para a cultura dos games em seus diversos aspectos. O CJL acredita que, seja como entretenimento, negócio, educação e pesquisa, existe muito na área de games que precisa ser debatido, especialmente, entre o público não especializado. O espaço serve para propiciar o pensamento crítico-reflexivo por meio dos games como ferramentas para o desenvolvimento humano, com foco principal na escola, na formação docente e discente.
Mais informações:

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Um Fazer Persuasivo - O Discurso Subjetivo da Ciência - Maria Jose Coracini


Quem foi Michel Pêcheux



Michel Pêcheux - (1938-1983): É considerado uma das figuras mais importantes da Análise do Discurso Francesa.

Ele é o fundador da Análise de Discurso que teoriza como a linguagem está materializada na ideologia e como esta se manifesta na linguagem. Ele concebe o discurso, enquanto efeito de sentidos, como um lugar particular em que esta relação ocorre. Pela análise do funcionamento discursivo, ele objetiva explicitar os mecanismos da determinação histórica dos processos de significação. Michel Pêcheux fez seus estudos na Escola Normal Superior de Paris, obtendo seu certificado para ensinar Filosofia em 1963. Em 1966, ele passou a fazer parte do Departamento de Psicologia no CNRS. Partindo de referências teóricas de G. Canguilhem e L. Althusser, Pêcheux reflete sobre a história da epistemologia e a filosofia do conhecimento empírico, visando transformar a prática das ciências humanas e sociais. Focalizando o sentido, que é o nó em que a Lingüística cruza a Filosofia e as Ciências Sociais, Pêcheux reorganiza este campo de conhecimento. Através do confronto do político com o simbólico, a Análise de Discurso que ele propõe coloca questões para a Lingüística interrogando-a pela historicidade que esta exclui, assim como ela questiona as Ciências Sociais pela transparência da linguagem sobre a qual elas se constroem. Pêcheux compreende o sentido como sendo regrado pelas questões de espaço e tempo das práticas humanas, descentralizando o conceito de subjetividade e limitando a autonomia do objeto da Lingüística. O discurso é definido como efeito de sentidos entre locutores, um objeto sócio-histórico no qual a Lingüística está pressuposta. Pêcheux critica a evidência do sentido e o sujeito intencional como origem do sentido. Ele considera a linguagem como um sistema sujeito à ambigüidade, definindo a discursividade como a inserção dos efeitos materiais da língua na história, incluindo a análise do imaginário na relação dos sujeitos com a linguagem. Propondo um novo suporte teórico para a ideologia, seu método é baseado na análise das formas materiais. A materialidade específica da ideologia é o discurso e a materialidade específica deste é a língua. O discurso é, assim, o observatório da relação língua/ideologia. Em termos de discurso, Pêcheux não faz uma distinção estrita entre estrutura e acontecimento, relacionando a linguagem à sua exterioridade. Estabelece a noção de interdiscurso, que ele define como memória discursiva, um conjunto de já-ditos que sustenta todo dizer. De acordo com este conceito, as pessoas estão filiadas a um saber discursivo que não se aprende mas que produz seus efeitos através da ideologia e do inconsciente. O interdiscurso está articulado ao complexo de formações ideológicas: alguma coisa fala antes, em outro lugar, independentemente. De acordo com Pêcheux, as palavras não têm um sentido ligado à sua literalidade; o sentido é sempre uma palavra por outra, ele existe em relações de metáfora (transferência) que se dão nas formações discursivas, que são seu lugar histórico provisório. A leitura (escuta) proposta por Pêcheux expõe o olhar leitor à opacidade do texto, objetivando a compreensão do que o sujeito diz em relação a outros dizeres. Criticando a análise de conteúdo, o psicologismo e o sociologismo, Pêcheux é um herdeiro não subserviente do Marxismo, da Lingüística e da Psicanálise, em sua Análise de Discurso que explicita as relações entre sujeito, linguagem e história. Com sua posição, Michel Pêcheux cria uma nova teoria com um novo objeto: o discurso. Ele consegue, assim, produzir o que propunha: uma mudança de terreno nos estudos da linguagem que afeta, ao mesmo tempo, o território das ciências humanas e sociais. Pós- saussuriano e pós-estruturalista, ele reintroduz a noção de sujeito e de situação, sem estacionar na análise de conteúdo, e fazendo intervir a noção de acontecimento junto à de estrutura. Elabora, desta forma, uma teoria não subjetiva de sujeito e sustenta a análise na relação do real da língua e no real da história. Sua contribuição para o campo das ciências da linguagem é justamente a que consegue trabalhar a questão do sentido na contradição que opõe o formalismo ao sociologismo.
Saiba mais

domingo, 10 de novembro de 2013

Escrever é preciso

”(…) o maior desafio da escrita é começá-la; no seu todo e em cada uma de suas partes. (…) só escrevendo se escreve. Não se trata de preparar-se para o escrever. Ele é ato inaugural, começo dos começos. (…) escrever puxa leituras que puxam o reescrever.” (MARQUES, Mario Osorio, 1998, p. 9-10) 
Isso me pareceu encorajante e inicio a leitura sobre Pesquisa com o autor.
Poderá gostar de ver os escritos neste Piratepad.
O Inep, com o apoio da UNIJUÍ e da Unesco, editou essa obra, agora disponível para download free no Scribd e pela web.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O destino dos livros

Se existe alguma coisa abençoada e bacana em relação à cultura do Vale do Silício é que não temos muitas funções sociais obrigatórias e enfadonhas nas quais você tenha que sentar no lugar indicado, escolher entre carne, frango ou legumes ou ficar escutando brindes tediosos até conseguir ir embora. Mas, mesmo assim, às vezes temos de passar por isso. Em uma dessas ocasiões eu estava sentado em um sofá branco entre Jeff Bezos, da Amazon, e Eric Schmidt, na época diretor-presidente do Google. Isso foi antes do Kindle.

Aqueles dois machos alfa do Vale do Silício se olharam e de repente começaram uma troca ensandecida de estatísticas e casos curiosos sobre o ramo de livros. Era como se eles estivessem compartilhando dicas sobre mais um mercado cheio de “conteúdo” que empresas de tecnologia de rede como as deles estavam prontas a “dividir”. Fiquei sentado ali, olhando para a frente na maior parte do tempo — um pedaço de cenário de um desenho animado dos anos 1920 em celuloide, colocado entre dois personagens frenéticos espelhando um ao outro, exibido no que parecia o dobro da velocidade. Na verdade eles não estavam se movendo mais rápido do que o normal, mas a velocidade normal contrastava com o processo soturno pelo qual eu estava passando. Eu vinha tentando terminar um primeiro livro sobre as formas pelas quais as tecnologias digitais vinham moldando nossa cultura há décadas. Não que eu fosse preguiçoso.

Durante os anos em que não entreguei o livro, ajudei a criar diversos setores de tecnologia que agora fazem parte de grandes empresas. Eu me tornei pai, conduzi um programa de pesquisas conjunto com diversas universidades e toquei música pelo mundo. Escrevi muitos artigos. Mas escrever um livro era diferente. O processo de escrita de um livro coloca os autores em uma espécie diferente de tempo, porque um livro representa uma codificação de um ponto de vista. Meu problema era que, mesmo que eu não estivesse pronto para admitir, minhas ideias ainda não tinham amadurecido. Realmente levei décadas para estar pronto para completar You are not a gadget (Você não é um gadget).. Enquanto isso, aqueles dois titãs do Vale do Silício estavam percebendo que o fato de por acaso eles controlarem alguns computadores centrais na internet os colocava na posição de controlar todo o mundo do livro em poucos anos.

A Amazon começou como uma varejista de livros impressos que conseguia oferecer uma seleção maior e preços inferiores à maioria dos livreiros tradicionais em seus prédios de tijolos, mas a verdadeira oportunidade de mudar a maneira pela qual os livros chegavam aos consumidores chegou com o Kindle. Pelo fato de os livros eletrônicos não exigirem a mesma infraestrutura para serem produzidos, armazenados e distribuídos, sua popularidade transformou os negócios da maioria dos editores que contavam com os livros impressos. Além disso, produzir livros eletrônicos tornou-se mais fácil, e quase qualquer um pode ser editor. Como serão os livros quando o Vale do Silício cuidar deles à sua maneira? Aprendemos um pouco sobre isso vendo o que aconteceu com a música, com vídeos, com as notícias e com a fotografia. Eis alguns cenários prováveis, embora não inevitáveis: Os autores não vão precisar das editoras para produzir ou distribuir, portanto haverá poucas barreiras a atravessar — a não ser escrever o danado do livro. Isso já se tornou verdade, e ainda vai se tornar mais verdadeiro. Escrever um livro não vai significar muita coisa. Haverá muito mais informações disponíveis em algo semelhante ao formato de um livro do que jamais houve, mas no geral o padrão de qualidade será mais baixo. E o número de autores publicados se tornará semelhante ao número de leitores que pagarão por um livro.

A maioria dos autores vai ganhar a maior parte de seu dinheiro com aparições ao vivo ou consultoria em vez de ganhar com a venda de livros. Autores bem-sucedidos vão ganhar a vida em tempo real e, portanto, tenderão a ser jovens e sem filhos, independentemente ricos ou beneficiários de alguma instituição. Não tenderão a serem estudiosos independentes com famílias. Enquanto isso, muitas pessoas vão fingir serem autores comercialmente bem sucedidos e vão investir dinheiro para ampliar a ilusão. Uma plutocracia intelectual emergirá gradualmente. Muitos livros estarão disponíveis apenas por meio de um aparelho específico — um tipo novo de obstáculo — mas alguns bons livros, de autores que, de outra forma, seriam obscuros, se tornarão proeminentes. Quando uma empresa introduzir no mercado um novo aparelho de leitura, haverá um aumento de visibilidade de autores cujos textos só estarão disponíveis nesse aparelho. Os livros vão se fundir com apps, videogames, mundos virtuais ou qualquer outro formato digital que se tornar notável. A princípio, renderão um bom dinheiro para alguns autores, enquanto ainda forem novidade.

A distribuição de vendas de livros se tornará ainda mais desproporcional: haverá um pequeno número de supervencedores e um enorme número de autores que publicam por conta própria, com quase ninguém entre os dois extremos. O total de dinheiro que flui para os autores diminuirá para uma fração do que era antes das redes digitais, e será pago por uma combinação de anúncios e taxas pagos por pessoas presas a aparelhos patenteados ou canais de atendimento. Os leitores se tornarão cidadãos de segunda classe em termos econômicos. (Quando compra um livro de papel, você possui algo que pode revender. Quando um leitor “compra” um ebook, está apenas assinando um contrato de acesso. O leitor não tem capital, nada para revender, nada que possa agregar valor por se tornar um item de colecionador). Ficarão presos a um aparelho ou a um contrato de serviços de telefone celular durante anos. Perderão suas próprias bibliotecas, anotações e até mesmo os próprios textos quando mudarem de provedor de serviços.

Muitos leitores lerão aquilo que for posto na frente de seus olhos por algoritmos de crowdsourcing, e com frequência não saberão a identidade do autor, nem mesmo os limites entre livros. Será enorme a quantidade de livros gerados por algoritmos e livros escritos em linhas de produção com condições abusivas, porque podem ser feitos de forma tão barata que até mesmo com faixas mínimas de renda se poderia criar uma empresa. Um livro não será necessariamente o mesmo a cada vez que for lido. Isso vai significar mais informações atualizadas e menor ocorrência de erros de digitação no texto, mas tirará a ênfase do ritmo e da poética da prosa, além de minimizar os riscos de declarar que um livro está completo e expandir o efeito “bolha de filtro”. Os meios para encontrar material de leitura sediarão as batalhas das empresas. As brigas serão horríveis. A interação entre leitores e livros será disputada e corrompida por spams e enganação. 

Quando a maior parte dos livros tiver se tornado digital, os proprietários dos principais servidores de internet que roteiam dados para os leitores, provavelmente controlados por empresas do Vale do Silício, se tornarão mais poderosos e mais ricos do que eram antes. Um livro não é apenas um artefato, mas uma síntese de pessoalidade individual plenamente realizada com continuidade humana. Para produzir uma obra de verdadeira maturidade é necessário um período de tempo incompatível com o modelo econômico das nossas redes digitais. É fácil acreditar que uma mensagem no Twitter deva ser gratuita — são apenas 140 caracteres. Mas um livro completo de 100 mil palavras demanda tempo, disciplina e capital para ser sintetizado. O modelo econômico de nossas redes digitais tem que ser otimizado para preservar essa síntese ou não vai servir para a humanidade. Se o Vale do Silício conseguir manipular os livros do seu jeito as pessoas vão pagar menos para ler, o que será celebrado como algo bom para os consumidores, mas exceto pelas costumeiras histórias de pessoas enriquecendo no Vale, à moda de Horatio Alger, os escritores vão se tornar menos seguros. Ainda que artistas e intelectuais tenham muitas vezes vigiado o futuro de maneira figurada, agora estão se tornando ratos de laboratório ou canários em uma mina de carvão. O que se tornar verdadeiro para os livros nos próximos anos também vai se tornar verdadeiro para a grande parte da economia nas próximas décadas. Os livros vão estabelecer um precedente a ser repetido nos setores de transportes, indústria, medicina, educação e outros igualmente importantes.

Daqui a algumas décadas, quando as impressoras em 3D tiverem fechado as fábricas, enfermeiras robóticas estiverem cuidando de idosos e motoristas tiverem sido substituídos por caminhões e táxis que se dirigem sozinhos, a pergunta realmente importante será “Qual é o papel da pessoa?” No cerne de qualquer suposta automação estão os dados, e eles surgem apenas dos esforços de pessoas de verdade, não de ciberanjos no céu. Um livro escrito automaticamente sempre será como a Wikipédia, escrita por autores reais que foram homogeneizados. De maneira semelhante, a automação de todos os outros papéis humanos será um cruel passe de mágica que oculta pessoas reais. Por exemplo, será esperado que designers de objetos em 3D “compartilhem”, de forma que novos empregos não sejam criados para substituir aqueles que foram perdidos quando as fábricas fecharem. No passado, cientistas imaginaram a criação de uma fórmula mágica que tornasse as máquinas autossuficientes.

Depois disso, as máquinas iriam montar livros, extrair combustíveis, manufaturar aparelhos eletrônicos, cuidar dos enfermos e dirigir caminhões. Isso talvez levasse a uma crise de desemprego, mas a sociedade se ajustaria, talvez com um giro em direção ao socialismo. Mas o plano nunca deu certo. Em vez disso, o que parece automação é na verdade algo movido a uma grande quantidade de dados. Os maiores computadores do mundo reúnem dados daquilo que pessoas reais — como os autores — fazem, atuando como os mais abrangentes serviços de espionagem da história, e esses dados são reprocessados para fazer as máquinas funcionarem. Acontece que a “automação” ainda necessita de um número imenso de pessoas! E, no entanto, a fantasia de um futuro centrado em máquinas requer que essas pessoas se tornem anônimas e sejam esquecidas. É uma tendência que reduz o significado da autoria, mas, de maneira lógica, também vai encolher a economia como um todo, ao mesmo tempo em que enriquece os donos dos maiores computadores espiões. Os livros sempre nos ajudaram a resolver os problemas que criamos para nós mesmos. Agora precisamos nos salvar percebendo os problemas que estamos impondo sobre os livros. 

Jaron Lanier, criador do termo “realidade virtual”, é cientista da computação, músico e autor de You are not a gadget (2010) e Who owns the future? (2013), do qual foi retirado o ensaio acima.

Fonte: http://www.revistaserrote.com.br/2013/09/o-destino-dos-livros-por-jaron-lanier/

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O tijolo e a palavra

O tijolo sonha em ser…
A palavra sonha em ser…
Com tijolos construímos prédios,
Prédios que abrigam pessoas…
Com palavras construímos idéias,
Idéias que melhoram a vida das pessoas!

O tijolo almeja em ser…
A palavra almeja em ser…
Com tijolos construimos estradas,
Estradas que conduzem as pessoas de um lugar para outro!
Com palavras construimos um caminho,
Um caminho entre o que fomos e o que seremos!

O tijolo sonha em ser…
A palavra sonha em ser…
Com tijolos contruimos pontes,
Pontes que ligam cidades, países… pessoas!
Com palavras nos conectamos,
Nos conectamos com a alma e o coração das pessoas!

Como o tijolo, a palavra é instrumento,
Instrumento para construir idéias, caminhos e conexões,
Ferramentas para um novo mundo e ferramentas para a paz!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Eventos de Linguística e Letras – novembro e dezembro de 2013

25 a 29 - Congresso Brasileiro de Informática da Educação (CBIE 2013) - Informática na Educação: da pesquisa à ação                                                             

DEZEMBRO

02 a 04 - 4th New Zealand Discourse Conference